Crise no varejo de Jequié reduz demanda por mídias off-line e pressiona setor de comunicação visual
- Augusto Barreto

- há 5 dias
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Jequié (BA), 28 de julho de 2026 – O fechamento de lojas físicas que atinge o comércio de Jequié, no sudoeste da Bahia, não afeta apenas os varejistas. A crise se espalha por elos inteiros da cadeia produtiva local, e um dos setores que mais sentem o impacto é o de comunicação visual. Com menos lojas abertas, encolheu também a demanda por fachadas, letreiros, banners, adesivos, placas e demais materiais off-line que antes eram encomendados com regularidade.
A diretoria da Multiarte Comunicação Visual, empresa com mais de uma década de atuação na cidade, confirma a retração. "As empresas deixaram de utilizar as mídias offline e isso gerou uma defasagem significativa nas nossas vendas", afirma Augusto Barreto, diretor da Multiarte. Segundo ele, o movimento de queda acompanha o encolhimento do comércio local: loja que fecha é um cliente que desaparece.
O diagnóstico da Multiarte encontra respaldo nos dados nacionais. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas, o maior patamar da série histórica. Em Jequié, a realidade não é diferente. Com o orçamento comprometido, o consumidor reduziu as compras, e o lojista, por sua vez, cortou investimentos em comunicação visual.
Nem todos estão no universo online – A diretoria da Multiarte observa que a migração forçada para o ambiente digital, impulsionada pela pandemia e acelerada nos anos seguintes, deixou lacunas. "Muitos comerciantes acham que basta estar no Instagram ou no WhatsApp para sobreviver. Mas uma parcela significativa dos consumidores de Jequié ainda não está totalmente inserida no universo online", afirma Barreto.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que cerca de 29 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet. Na Bahia, a taxa de domicílios conectados está abaixo da média nacional, o que reforça a importância dos canais offline para alcançar esse público.

"A presença offline continua sendo necessária. O cliente vê a fachada, entra na loja, confia no estabelecimento que tem uma identidade visual profissional. Isso não mudou", completa o diretor da Multiarte.
Mídias offline que ainda são relevantes – Especialistas em marketing apontam que, mesmo com o avanço do digital, algumas mídias off-line mantêm eficácia comprovada, especialmente em cidades de médio porte como Jequié. Entre elas:
Fachadas e letreiros – São o primeiro ponto de contato visual com o consumidor. Uma fachada bem projetada comunica profissionalismo e atrai clientes que circulam a pé ou de carro pelo centro.
Adesivos e envelopamentos de vidro – Transformam a própria loja em um canal de comunicação, com baixo custo por impacto.
Placas de calçada – Direcionam o fluxo de pedestres e funcionam como chamariz para promoções e liquidações.
Banners e lonas – Úteis para campanhas sazonais e datas comemorativas, quando o comércio local ainda registra picos de movimento.
Sinalização interna – Organiza o espaço da loja e melhora a experiência do cliente, fator cada vez mais valorizado no varejo.
Estratégias de marketing para o varejo se manter – Para a Multiarte, o caminho não é abandonar o off-line em favor do digital, mas integrar os dois universos. "O lojista precisa de fachada e de Instagram. Precisa de placa na calçada e de WhatsApp Business. Um canal não substitui o outro", defende Barreto.
Entre as estratégias que podem ajudar as empresas a se manterem no mercado, especialistas destacam:
- Omnichannel – Integrar a comunicação offline com a digital. Um QR code na placa da calçada que leva ao catálogo online, por exemplo.
- Reforço da identidade visual – Em um mercado mais competitivo, a loja que se destaca visualmente tem mais chances de ser notada.
- Marketing de proximidade – Ações locais com foco no bairro ou no entorno, combinando sinalização física com divulgação em grupos de WhatsApp.
- Presença em datas sazonais – Investir em comunicação visual para Páscoa, Dia das Mães, Black Friday e Natal, quando o consumo presencial ainda é expressivo.
Um alerta para o varejo – O cenário descrito pela diretoria da Multiarte é um alerta para o comércio de Jequié e de cidades com perfil semelhante. A pressão por digitalização não elimina a necessidade de presença física e de comunicação visual de qualidade. O risco, alerta Barreto, é que a loja que desaparece do mundo off-line desapareça também da mente do consumidor.
"O online é importante, mas o off-line ainda vende. E para vender, a loja precisa ser vista", conclui.





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